Monster Tale reúne estilos consagrados no Nintendo DS

Edson Kimura
                                    
De vez em quando surgem  jogos que são tão bem feitos, modestos e interessantes que você não tem alternativa a não ser gostar deles. "Monster Tale" é um título que exala qualidade e que, nos momentos de crepúsculo do Nintendo DS, é uma verdadeira retrospectiva da maioria dos estilos de games que consagraram o portátil como um dos mais vendidos do mundo.

"Monster Tale" é a história de Ellie, uma garota que, ao encontrar um bracelete mágico, é transportada para um mundo paralelo habitado por monstros. Ela logo faz amizade com um deles, batizado de Chomp, e ambos partem em uma aventura cujos objetivos são encontrar uma maneira de Ellie voltar para a casa e desvendar os mistérios por trás da existência do monstrinho.

Bons amigos: garota e monstro se juntam para salvar planeta

É um jogo 2D de plataforma excepcional, mas quase nenhum aspecto dele é original. O estilo de arte super saturado é similar a Starfy ou mesmo ao clássico "Kirby". A estrutura é copiada diretamente de "Metroid" e a ação evoca jogos da série "Mega Man X". Entretanto, isso não é uma crítica, pois o título apresenta e une cada um desses aspectos de forma maravilhosa, e a única mecânica original, a criação e o manejo de Chomp, é bem realizada. A ação acontece na tela de cima, e Chomp flutua livremente ao lado de Ellie. Ele age e ataca sem interação, salvo o uso de algumas habilidades especiais. Durante a aventura, a garota descobre poderes que melhoram seus ataques e sua habilidade de navegação pelos estágios, mas as melhorias ocorrem através da compra de upgrades.

Apesar de Ellie ser o personagem que o jogador controla diretamente, o monstrinho é o único a ganhar experiência e aumentar de níveis.  A barra de energia de Chomp se esvazia gradualmente, e de vez em quando o jogador tem que enviá-lo para a tela de baixo para se recuperar, mas o "Monster Sanctuary", como é chamado, também tem outros propósitos. Itens que Ellie coleta de inimigos derrotados ou adquire são enviados para lá, e Chomp pode interagir com esses objetos, o que gera efeitos variados. Comida como cookies e carne geralmente oferecem aumento de parâmetros, enquanto  brinquedos podem afetar a ação na parte de cima da tela.

Quando Ellie não precisa de ajuda, Chomp se diverte em casa


Isso tudo gera uma sinergia entre os eventos que acontecem nas duas telas, sem dúvida um legado do jogo anterior criado pelos desenvolvedores, o excelente (e infelizmente ignorado) "Henry Hatsworth". Chomp também tem um sistema de transformação, no qual evolui de diversas formas de acordo com o tipo oferecido de comida, e o combate contra um triângulo elemental que decide a eficácia do seu dano. Existem dezenas de evoluções, cada qual com uma habilidade, e descobrir qual é cada uma é recompensador e divertido.

O único aspecto negativo de "Monster Tale" é a falta de refinamento na exploração. Seu objetivo está sempre marcado no mapa, e não há incentivo para explorar outras áreas. Entretanto, o jogo compensa isso com os diferentes ambientes, repletos de detalhes e com trilha sonora retrô.

Chomp assume diversas formas durante o jogo

"Monster Tale" é uma surpresa para nós, pois é um game criado para um sistema que logo será aposentado e tem um estilo inspirado em jogos de gerações passadas. Só a dedicação e o idealismo já garantem a atenção, mas some-se a isso o fato de que se trata de um título brilhante e charmoso.

                                    
Plataforma: Nintendo DS
Produção: Majesco
Desenvolvimento: DreamRift
Gênero: Aventura
Jogadores: 1
Nintendo WFC: Não

Gráfico: 9.0
Som: 8.0
Jogabilidade: 8.0
Diversão: 8.0
Replay: 5.0
Nota Final: 8.5

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